Faço hoje uma coisa que deixei de fazer por tantos anos, e me pergunto por que, sem encontrar resposta: escrevo para você. A verdade é que mal tenho encontrado resposta para muita coisa sobre essa cominhada sobre a terra, e este é mais um caso. E dói, como dói. Lembro-me de alguns textos que escrevi em laudas, e sinto uma vontade ridícula, patética de voltar para aqueles dias em que riamos tanto, sonhávamos tanto e nos amávamos tanto.
Gostaria que você me desse uma cópia daquele texto: eles serão para mim uma conexão eterna com um tempo cuja lembrança haverá sempre de aquecer e iluminar meus dias frio e escuridão.
Até o fim.
Gostaria de voltar. Estalar os dedos e voltar àqueles dias, não para reviver a alegria vigorosa e irresponsável de então. Mas para fazer todas as coisas que deveria ter feito e que não fiz. Falar tudo o que deveria ter dito e silenciei.
E dançar com você. Quantas oportunidades perdidas, e hoje eu daria tudo para dançar com você e já não posso.
Vi velhas fotos de madrugada e pela manhã. Fico aqui pensando que esta é uma das coisas mais duras de dividir. Muito mais que dinheiro. As fotos. Dou graças a um Deus que nem sei se existe por elas existirem. As imagens. Aquelas imagens.
Uma vida ali, tantos anos, e tudo tão rápido, e tão rápido, e tão rápido. Deus, Deus eu detesto a fragilidade de tudo a impermanência.
Do baile, daquele baile, não há foto, mas não é necessário. Lembro tão bem. Estava escrito que você tinha sido feita pra mim. Pra sempre.
Os lábios dizem que não se deve lamentar o passado.
Pois eu desafio a sabedoria e lamento tantas coisas.
Lamento não ter correspondido as suas expectativas.
Lamento não ter feito as coisas necessárias para que você visse no casamento algo único, lindo, exatamente como você sonhava, duas pessoas tão unidas numa só que não se pode ver a costura entre elas.
Lamento ter destruído seu sonho justo de menina.
Lamento não ter deixado claro quanto amo, quanto amei, quanto amarei.
Lamento não ter dito e mostrado que você é a figura central da minha vida.
Lamento não ter dito e mostrado a você que eu morro sem você.
Não acredito no que você acredita. Que voltaremos aqui por alguma razão. Que voltaremos depois da morte por alguma razão. Mais como eu gostaria de acreditar, como eu gostaria. E então eu vejo a nós dois outra vez. Nós nos encontraríamos mesmo diante da maior multidão do mundo. Meus olhos. Meus olhos haveriam de achá-la. Você. Eu. Nós dois. Feitos um para o outro. Para realizar o que poderia ter sido e que não foi. Uma outra vida. Nós dois. Sempre, sempre, sempre.
por: Fabio Hernandez

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